Etimologia – ou Etiologia, como queiram!

Dentre os meus interesses, digamos assim, intelectuais e totalmente descompromissados, aquém do que se pudesse chamar de amor ou paixão, mas à frente da simples curiosidade está a etimologia, o estudo da origem das palavras. Eu vejo a etimologia, no mínimo, como um grande barato e uma fonte cultural inesgotável. Palavras como “enfezado” e “coitado”, por exemplo, deveriam fazer as pessoas refletirem sobre o que dizem:

“- Hoje minha mãe estava enfezada, se sentindo uma coitada

– Desculpe-me, Cláudio, mas como é mesmo o nome da sua mãe?

– É Cássia… Você se esqueceu?

– É verdade, desculpe-me, eu tinha me esquecido… E a Dona Cássia tá se sentindo assim por que, coitadinha?

– Ela se sentiu acuada diante do juiz, você sabe a m%rd@ (*) que são essas coisas, não é?…”.

Vou acabar a minha criatividade por aqui, ok? Só queria exemplificar um diálogo e não tornar o meu post proibido para menores. Aliás, tirem as crianças da sala e as coloquem na Kombi agora, pois virá adiante a “tradução etimológica” de algumas palavras, ainda que a etimologia real de algumas possa ser discutível… Afinal, a origem de todas as palavras foi a de um som apenas: a do sopro de Deus e esse meu pensamento ninguém há de me retirar.

Vai aqui, então, uma tradução simplificada:

“- Hoje minha mãe estava cheia de fezes, se sentindo uma f#did@

– Desculpe-me, Manco, mas como é mesmo o nome da sua mãe?

– É Pobrezinha… Você se esqueceu?

– É verdade, desculpe-me, eu tinha me esquecido… E a Dona Pobrezinha tá se sentindo assim por que, F#d!d!ñ@?

– Ela se sentiu com o k´ sentado no chão diante do juiz, você sabe a m%rd@ (*obs: abaixo) que são essas coisas, não é?…”

*obs: http://sobrepensar.tumblr.com/post/4776605115/estudo-etimologico-historico-da-merda – dá os sentidos possíveis da palavra… hmmm… vocês entenderam bem, não?

Bem… fiz essa introdução apenas para apresentar-lhes abaixo a etimologia de algumas palavras em português relativas a algumas bebidas que se encontram ao nosso alcance, cuja fonte obtive no endereço: http://origemdapalavra.com.br/palavras/rum/, sendo que o “rum” que vocês podem ver pelo endereço eletrônico acaba por indicar a origem da palavra que eu pesquisava a princípio: [A minha dúvida era ou é: “rum” é uma palavra derivada do ronco pós-etilismo exagerado? Da espécie: “rrrrruuuuuuuuummmm…”?].

Então eu lhes trarei a resposta a essa pergunta e a outras mais que poderiam advir (“advir” parece vir do nome daquele remédio para dor-de-cabeça, né? – “advir” é o caipirês de “há de vir”: “há de vir a solução”). Agradeço ao site apontado por ter se mostrado uma boa fonte de estudos, inclusive de algumas palavras correlatas, como vocês verão (“verão” vem de… ah, esqueçam).

RUM – esta bebida feita da cana de açúcar parece ter recebido o seu nome do Inglês rumbullion, que viria do Francês bouillon, “bebida forte”, do Latim bullire, “ferver”. Este rumbullion originou a palavra inglesa rambunctious, “agitado, exuberante”, estado inicial comum naqueles que se dedicam ao consumo da bebida.

CERVEJA – vem do Latim cerevisia, de uma fonte gaulesa. Mas parece que a palavra teve sucesso mesmo foi na Península Ibérica (cerveza, em Espanhol), pois os outros países preferem usar um derivado germânico do Latim biber, “bebida”: beer em Inglês, bier em Alemão, bière em Francês, birra em Italiano.

CHOPE/CHOPP – ora, este é o nome que os alemães dão à cerveja não-pasteurizada, isso qualquer frequentador de bar sabe! A Alemanha está cheia de cartazes enormes anunciando Chopp! Não é verdade. Naquele idioma, schopp é apenas o nome de uma medida de volume (300ml). Por incrível que pareça, lá ninguém toma chopp. Com o tempo o nome da medida, em nosso país, acabou passando para esse tipo de cerveja.

SCHNAPPS – já que falamos em bebidas e em Alemanha, esta espécie de gim holandês vem do Alemão schnaps, “gole, bocado”, do Baixo Alemão snappen, “corte ou mordida brusca”.

UÍSQUE – vem do Gaélico Escocês uisge beatha, “água da vida”. Deve ter sido apropriado do Latim aqua vitae, usado para bebidas de forte teor alcoólico desde o século 14. Nos países escandinavos se usa uma bebida aromatizada com ervas chamada akvavit, com o mesmo significado. O uísque americano feito com milho recebeu o nome de bourbon porque foi feito primeiro no condado de Bourbon, no estado de Kentucky.

VERMUTE – do Inglês vermouth, que veio do Alemão wermut, “losna”, planta extremamente amarga (Artemisia absinthium), que é usada para dar gosto à bebida.

VODCA – vem do Russo voda, diminutivo de “água”. Mais exatamente aquela que as aves pequenas se recusam a ingerir.

HIDROMEL – era muito usada pelos heróis das sagas antigas. Pelo menos era o que os escritores diziam. Consistia de uma mistura fermentada de água e mel, como o nome derivado do Grego diz: hydromeli, de hydor, “água”, mais meli, “mel”.

CACHAÇA – tão comum em nosso país, a origem do seu nome não é clara. Dizem uns que veio do Latim catulus, aplicado a animais pequenos, que teria vindo nomear, depois de muitas voltas, o porco velho, o cachaço. Sendo a carne deste dura para se comer, ela precisa ser amolecida com bebida alcoólica para ficar comestível. Desta operação toda, o nome do dono da carne teria passado à bebida. Complicado, não? Outros afirmam que a palavra vem do Latim coquere, “amadurecer, cozinhar, cozer”, referente aos processos de preparação da bebida. O sinônimo, pinga, deriva de pingar, que veio do Latim pendicare, de mesmo sentido. É claro que todas as bebidas pingam; porque é que especificamente esta pegou tal nome é um mistério. Seja como for, ele originou o adjetivo pinguço, de pinga mais o sufixo pejorativo -uço.

Quando se fala em cachaça, ocorre-nos a palavra talagada, “quantidade de bebida que se engole de um trago só”. Esta palavra aparenta vir de taleigada, a quantidade que cabe numa taleiga, antiga medida de volume para azeite ou grãos.

LICOR – do Latim liquor, “líquido, fluido essencial de algo, líquido corporal”. Da mesma raiz que originou liquidus, “derretido, fundido”. Existe um fluido nas cavidades do nosso cérebro que se chama liquor. Não se deve deixar o licor chegar onde está o liquor.

GIM – deriva de genebra, o nome da bebida em holandês. Quando os soldados ingleses estiveram envolvidos em guerras nos Países Baixos, levaram de volta consigo esta bebida, feita com os frutos do zimbro ou junípero. Esta planta era chamada assim por seu apelido latino, juvenes pares, “a que traz a juventude”. Era muito usada para perfumes e bebidas, bem como para ornamentação. A bebida fez sucesso na Inglaterra, onde depois passou a ser feita mesmo sem o zimbro. O seu consumo chegou a constituir um sério problema social.

SIDRA – o Hebraico shekar, “bebida forte”, passou para o Grego como sikera e daí para o Latim sicera. Em Italiano se firmou como sidro, de onde nos veio o nome que foi aplicado a esse vinho espumante feito com maçã. A origem explica esse “S” inicial, que parece tão deslocado aí. A cidra, com “C”, é o fruto da cidreira.

PONCHE – vem do Inglês punch. E esta palavra deriva do Hindustani panch, que significa “cinco”. Isso porque na composição da bebida entravam cinco ingredientes: álcool, água, limão, açúcar e especiarias. Notem a semelhança de panch com o grego penta: não há engano, ambos têm a mesma origem e significado.

BLOODY MARY – é de 1956, usando o apelido de Mary Tudor, rainha da Inglaterra entre 1553 e 1558, responsável pela perseguição que deu morte a muitos protestantes. A associação é apenas pela cor, pois essa bebida leva suco de tomate.

MARGARITA – é uma bebida com tequila, inventada em 1965, usando o nome de uma conhecida do barman, não se sabe se a namorada ou a mãe dele.

PIÑA COLADA – é de 1975 e significa literalmente “abacaxi coado”.

Meus caros Tropeçantes: espero que vocês se mantenham eretos doravante, mesmo após esse post e não se sintam empolgados a ultrapassar a linha de milimetragem de álcool permitida pela nossa legislação para dirigir os seus veículos. Afinal, beber pode ser prejudicial à sua saúde, a seu bolso e o pior: à saúde de quem não tem nada a ver com isso.

Tim-tim (esta é uma onomatopeia, mas isso pode ser um assunto para outro post)!

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4 respostas para Etimologia – ou Etiologia, como queiram!

  1. Cláudia disse:

    Manco? Qual é? Assim fiquei enfezada! kkkk

    • Clau, ainda falei para a Rê: “a minha irmã vai me xingar…”. Rs! Mas fazer o que? O meu nome significa loiro e, teimam porque teimam, loiro seria sinônimo de burro! EU DISCORDO! Rs… Bjs do teu irmão que não é assim tão burro mas é, sim, manco, ainda que por tempo determinado! Rs…

  2. Paula Pessoa disse:

    Flávio, meu cunhado acabou de me lembrar aqui a origem de pinga. A bebida era acondicionada em tonéis sobre o local onde ficavam os escravos na senzala. Só que vazava e por vezes acabava por pingar, e lá vinha a gota da felicidade. Bjs

    • Paulinha, a história que eu conheço da pinga é essa, a de que as gotas da destilação da cana pingavam e os escravos viam e começaram a chamar a bebida de “pinga”. Eu coloquei no post de acordo com a fonte indicada (por isso avisei que poderiam haver discordâncias, ainda que parciais, digo eu agora)… Acho que o nome “PINGA” é tão claro, tão brasileiro, que não há como duvidar que a palavra vem das gotas etílicas, “pingando”… mas aí vem… do aparelho destilador para onde? Viriam as gotas em vazamento dos tonéis da reserva para algum outro lugar, como um simples recepiente final? Já li que a palavra viria dos tonéis de onde a mardita vazaria e atravessaria tetos e paredes para o bel prazer dos escravos, que lamberiam os pingos da destilação pelos alicerces dos seus “aposentos”. Ou, de uma forma muito menos complexa, pinga seria apenas a palavra derivada do “pingamento”, gota a gota, da destilação da cachaça advinda do processo de sua fabricação. Seja como for, a felicidade está sempre envolvida – escravos ou senhores, desde que sempre sorvida de forma que a moderação faça parte do conjunto da obra. E de preferência com uma boa música acompanhando as gotas, goles, doses e garrafas e… HIC! Bjs!

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